Grandes nomes da moda: Markito

Mais uma colaboração pra Mondo Moda!! Estou adorando escrever esses artigos pra lá! Tem sido tão bom me obrigar a dedicar um tempo para pesquisar sobre moda e estilistas… Normalmente fico tão obcecada com a faculdade que nem encontro tempo pra me informar sobre isso. E no próximo dia 2, nós da equipe Mondo Moda vamos cobrir o Alameda Fashion Day, no Shop. Dom Pedro. Jorge Marcelo: muito obrigada pela oportunidade que você esta me dando!

Agora confiram aí um breve texto sobre a trajetória de Markito:

“Top Designer Dies of Aids”, essa foi a manchete do New York Post no dia seguinte à morte de Markito, em Nova York. O HIV fazia sua primeira vítima entre muitas de nossas personalidades artísticas e criativas do nosso país. Seu nome de batismo era Marcos Vinicius Resende Gonçalves, mas o apelido Markito pegou assim que desembarcou em São Paulo, com 18 anos de idade e uma mala cheia de vestidos de sua autoria – que esgotaram logo nos primeiros dias na cidade. No auge da era Disco, durante o final dos anos 70 e início dos anos 80, ganhou fama graças aos paetês, tafetás, jérseis e fendas – legado de sua infância em Uberaba, Minas Gerais, onde, aos 12 anos criava fantasias para uma escola de samba da cidade.

No auge de sua carreira, vestiu ícones como Liza Minnelli, Diana Ross, Grace Jones e Farrah Fawcett. Reza a lenda que no Studio 54, seus vestidos se destacavam em meio a multidão. Por aqui, a amiga Marília Gabriela (que vestiu uma das criações do estilista na capa de um álbum que lançou em 1982) fazia a comparação: “Markito foi uma deslumbrante taça de champanhe”. Talvez pelo luxo intrínseco à bebida ou pelo brilho único que possui? E por que não ao ritmo acelerado das minúsculas bolhas de gás? Markito trabalhava das 9h às 21h, ainda se acabava numa pista de dança outras seis horas – e ninguém conseguia acompanhar seu ritmo.

Com 150 empregados, entre bordadeiras e secretárias, Markito vendia uma média de 300 vestidos por mês. Quando ia ao Rio, atendia por volta de 30 clientes por dia na sua suíte. Entre eles, nomes, como: Ney Matogrosso, Gal Costa, Vanusa, Sonia Braga e Marília Pêra. Por convite do cineasta Neville D’Almeida criou os figurinos para o filme “Rio Babilônia”. O diretor ficou extasiado com seu talento e fazia questão de afirmar o quanto sua arte e talento acrescentavam muito à produção. Para a cena final do filme, Markito teve que criar 150 vestidos diferentes para caracterizar todos os atores e figurantes que compunham uma grande festa.

No ano seguinte ao lançamento do filme, Markito morreu em Nova York aos 32 anos de idade, no dia 4 de junho de 1983. Estava na cidade a desculpa de procurar um tratamento para sua doença incurável, mas sua maior preocupação foi levar a mãe para conhecer a cidade e demonstrar um pouco mais de seu carinho por ela. Em sua cidade natal, quando ainda morava na fazenda com seus pais, 15 tios, e 100 primos, sua mãe foi a única a apoia-lo quando comunicou a toda família sua intenção de se mudar para São Paulo para se tornar estilista. Todos acharam que estava louco, e em uma reunião familiar, decidiriam o mandar se consultar com um psiquiatra.

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